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Pintando tramas sobre

seres e espaços

Hortolândia

00:00 / 00:41

1. Espécie de tapete relativamente comprido e estreito, de tecido, oleado, que se estende nos pavimentos, corredores, escadas, para se passar sobre ele ou proteger o chão do desgaste e da sujidade.

2. Caminho, alternativo a uma ponte, feito de pedras sobre um rio pequeno no qual as pessoas passam; caminho de pedras emersas em pequenos rios nas quais as pessoas pisam sucessivamente para atravessá-los; alpondra.

Passadeira

pas.sa.dei.ra
substantivo feminino

O projeto

00:00 / 03:12

Este projeto parte de minha experiência pessoal, eu que me chamo Gabriela Castilho Guimarães, sou internacionalista e artista paulistana, 33 anos, e em 2018 me mudei para o interior do estado a trabalho, fui viver na cidade de Hortolândia/SP (região metropolitana de Campinas), onde residi por 2 anos e meio. Local cujas dinâmicas urbanas e de relações, surpreendentemente, aconteciam de maneira não tão distinta ao que era por mim conhecido até aquele momento. Cidade jovem, bastante religiosa, com pouco mais de 230 mil habitantes, composta por pessoas e famílias advindas de diferentes estados do Brasil, e que mais recentemente recebeu um número considerável de imigrantes estrangeiros. Onde, ainda assim, ao chegar, me senti forasteira.
 

Espanto e o contraste entre expectativa e realidade, distinção entre a imaginação e o concreto de uma cidade do interior (quase 100% asfaltada). Nesta, não havia muito da esperada convivência na rua, das conversas nas calçadas, da sonhada tranquilidade e do convívio mais intenso com vizinhos – parte do que eu imaginava para a vida fora da capital – havia, no entanto, pessoas bastante fechadas em seus pequenos núcleos, igrejas, casas, condomínios e carros.

Dois grandes presídios estão localizados em uma das entradas da cidade, que teve em sua história recente, dinâmica bastante afetada pela forte presença e atuação de organizações criminosas na região.
 
Apesar disso, e felizmente, o dia a dia tece as tramas das relações, e é nesse sentido que retrato aqui minha experiência com esse lugar, com esse território, ao convidar outras forasteiras e forasteiros, mulheres e homens que vieram de outras partes, em tempos distintos, e que também por diferentes razões escolheram fazer deste lugar morada, para contarem suas histórias. 
 
Este trabalho propõe um convite à reflexão de o que nos faz sentir pertencentes, partes de uma comunidade, de um bairro, de uma cidade. E nos chama a abraçar e acolher àquelas e aqueles que um dia não se sentiram vistos ou que sentem saudades de seus locais de origem, de familiares e amigos.
 
Que a partir dessa experiência, entrelacemo-nos em abraços apertados e confortáveis quais tecidos de algodão, macios e reconfortantes, e colaboremos na preparação de um melhor terreno para a acolhida daqueles que ainda estão por vir.

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Com a intenção de dar voz a histórias ordinárias, de cidadãs e cidadãos comuns, mostrar como podem ser ricas e parecidas com as nossas. Ou, ainda, que tragam novo ponto-de-vista, que abram horizontes sobre os porquês e escolhas (ou não) de outrem. 
 

Encontrar a beleza em cada uma dessas vidas, e promover a identificação, a real empatia, o reconhecimento no diferente de um pouco de mim. Buscando humanizar as relações tanto entre indivíduos, quanto destes com o lugar em que se vive.

Contribuindo para a ressignificação de um passado recente da cidade, do estigma de violência, e propondo amenizar o impacto que isso pode ainda ter nas relações e configuração de seu território. Procurando colaborar na superação de barreiras das diferenças sociais, religiosas, raciais, de gênero e sexualidade desta comunidade.
 

É que foram realizadas as entrevistas que compõem esta exposição, relatos registrados em formato audiovisual e que, combinados à minha própria biografia, foram a inspiração para elaboração das obras que lhes convido a conhecer.

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Gabi Castilho

Artista, Internacionalista e

Produtora Cultural

Entrevistades

00:00 / 01:32

Aldenir Carlota

Thairine Barbosa

Mãe Eleonora

Jura do Pote

Obras

00:00 / 01:21

Vidas impressas em passadeiras, realizadas em painéis de tecido, por mim manualmente estampados, com tintas feitas desse mesmo chão que hoje pisamos. Aproximando o fazer artístico da rotina, deixando bonitas nossas casas, para nós, e para recebermos bem quem chega: com cheirinho e tinta de café, com vaso cheio e tinta de flor.
 
Compondo caminhos que ligam margens e fazem das chegadas e travessias: possíveis, mais fáceis.

Para unir e aproximar quem já está, trazer conforto e contribuir para a construção de identificação e sensação de pertencimento e, em primeiro lugar, lembrar-nos de que somos nossos próprios lares, aonde formos, por onde quer que passemos.
 
Nesse espírito, foi realizada série de painéis de tecido 100% algodão em formatos retangulares e diferentes dimensões, que fazem alusão a tapetes do tipo passadeira, adorno comum às casas brasileiras.

Processos

00:00 / 00:43

O resgate de saberes ancestrais, tanto no uso de pigmentos naturais para a elaboração de minhas próprias tintas, bem como da adoção de técnicas de estamparia manual milenares, de substancial relevância histórica no universo do design de superfície e da arte em geral, recuperam também a razão e função primeira da estampa, qual seja, a de contar uma história ou narrativa por meio de imagem impressa. Conectando-se, assim, através deste projeto: passado, presente e futuro.

Estamparia manual:

A técnica de estamparia que optei por aprofundar neste trabalho foi o Block Printing, pela qual tenho especial carinho e identificação. Técnica milenar, que consiste na confecção artesanal, através de gravura, de matrizes (carimbos) de madeira, com padrões ou elementos posteriormente impressos – também manualmente – em superfície têxtil.

Tintas naturais:

Venho desenvolvendo pesquisas e experimentos com tintas naturais. Para a realização dessas obras, optei por combinar tintas produzidas com elementos da natureza, feitas de ingredientes que conversem e façam parte da minha história e das histórias divididas comigo, por mim interpretadas em estampas. Foram utilizadas tanto geotintas (tintas de terra) quanto tintas vegetais, feitas de plantas diversas.

00:00 / 01:08

Ficha Técnica

Projeto, Produção Cultural, Entrevistas e Desenvolvimento de Obras:
Gabriela Castilho Guimarães

Captação audiovisual e Retratos:
Uolli Longo Briotto

Identidade visual e desenvolvimento de website:

Pepê Ferreira

Entrevistades:
Aldenir Carlota
Eleonora Aparecida Alves
Juracy Monteiro dos Santos
Thairine Barbosa

Edição e sonorização:

Eduardo Maziero

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